Saber forjado no garimpo
Desenvolvida durante a residência Mirante Xique-Xique, com apoio da PNAB 2025, a edição aconteceu ao longo de dez dias de imersão em Xique-Xique de Igatu. Surgido no século XIX com o garimpo de diamantes na Chapada Diamantina, o povoado, que hoje possui cerca de 300 habitantes, carrega em sua paisagem as marcas simultâneas da exploração mineral e da regeneração contínua da vida entre as rochas.
Desta vez, o ateliê não ocupou um lugar fixo, tornou-se móvel, acontecendo onde os encontros se davam: na casa de quem convidava para um café, na horta comunitária, nas praças do vilarejo ou nos caminhos percorridos ao longo da estadia. Esse deslocamento transformou a própria ideia de ocupação, fazendo com que a pesquisa se estruturasse menos em um espaço determinado e mais nas relações construídas ao longo da experiência.
O convívio com mestres como Chiquinho, garimpeiro por herança e profundo conhecedor das plantas da região, e Tuninha, ex-garimpeira e hoje guardiã da horta comunitária, revelou formas de conhecimento forjadas na relação direta entre corpo, extração e território. Em meio às narrativas sobre mineração, cultivo e permanência, a pesquisa passou a perceber o território como um campo de camadas temporais sobrepostas, onde memória, sobrevivência e transformação coexistem.
Ao final da residência, a artista foi convidada pela Casa7, em Salvador, para apresentar publicamente os desdobramentos da pesquisa, ampliando a circulação das reflexões produzidas durante a imersão e conectando o projeto a outros contextos de debate sobre território, memória e ecologia.












