Ecologia do encontro
Idealizado pela artista Lis Haddad, o projeto Nós somos fortes em dissolver rochas surgiu no segundo semestre de 2024 durante a residência artística do programa Casco Pós-Balsa, no distrito de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo (SP).
Inserido em um território rural, o projeto emergiu como uma investigação sobre as relações de afeto, mutualismo e simbiose entre humanos e mais-que-humanos; um exercício de observação, escuta e criação que dialoga com o lugar como um organismo vivo.
Em 2025, o projeto foi contemplado pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc, o que permitiu seu desdobramento em mais duas edições. Em março de 2026, a pesquisa alcançou Igatu (Chapada Diamantina-BA) e, entre abril e maio do mesmo ano, expandiu-se para Aranha (Brumadinho-MG).
Ao atravessar diferentes territórios, o projeto passou também por três biomas brasileiros distintos — Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado — ampliando o mapeamento das relações entre espécies, paisagens e modos de vida.
Agora, o projeto busca se fortalecer em outros territórios da zona rural de Brumadinho, permitindo que essa paisagem assuma o protagonismo. A intenção é seguir criando espaços de escuta e troca, onde os moradores, em sua materialidade e memória, se reconheçam em rede com outras espécies e como parte da ecologia local.
Aposta-se nesse projeto como fagulha para que novas camadas de relação e percepção do entorno possam ser ativadas e fortalecidas, e futuros possíveis e mais sensíveis possam habitar o imaginário de quem se costurar a ele.
Resultados das imersões
De 2024 até o momento, o projeto realizou 3 imersões artísticas em 3 territórios distintos, nos estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, somando aproximadamente 50 dias de residência, investigação situada e ateliê aberto. Também foram 3 os biomas mapeados: Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado. Ao longo desse percurso, foram desenvolvidas 2 oficinas têxteis, 3 mostras públicas de processo, 1 exposição, além da consolidação de 1 parceria institucional com escola pública, que segue em continuidade. As ações envolveram diretamente 25 crianças, além de incontáveis encontros com moradores, mestres locais, educadores, artistas e passantes. A segunda e a terceira edição foram realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à cultura MG, edital 13/2024.
