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Produções em ateliê

O projeto adota uma metodologia de ateliê aberto e investigação situada, fundamentada na escuta ativa e na troca com os moradores. Em um espaço de experimentação artística acessível e colaborativa, as etapas acontecem concomitantemente, articulando tanto os processos coletivos quanto uma produção contínua da artista em seu próprio ateliê, onde as experiências vividas nos encontros são elaboradas em camadas mais íntimas e reflexivas. Esse trânsito entre o comum e o individual garante que a criação se dê simultaneamente como partilha e como decantação sensível do vivido.
 

  • Instalação e ativação do ateliê temporário como espaço de encontro e criação coletiva;

  • Levantamento e registro de narrativas através de conversas, entrevistas e escuta ativa com os moradores;

  • Coleta de referências visuais e materiais a partir da paisagem e dos relatos da comunidade;

  • Criação das obras, em que fragmentos de histórias, símbolos e imagens dos territórios são traduzidos em composições visuais, desenvolvidas tanto no contexto coletivo quanto no ateliê da artista;

  • Registro visual e documental de todo processo;

  • Mostra final das produções em processo para comunidade.
     

Na 1ª edição foram definidos dois corpos de obras desenvolvidos paralelamente que se mantiveram nas edições seguintes: um em tecido, outro em cerâmica.

Enquanto grandes painéis têxteis ilustram as relações que acontecem acima do solo, azulejos de cerâmica reproduzem os padrões microscópicos criados pelo vínculo entre raízes ,  fungos e bactérias embaixo da terra.
 

A estética dos painéis foi desenvolvida a partir das técnicas e regras da marchetaria ensinadas pelo Xina e adaptadas para o tecido. A incorporação de molduras feitas do próprio material, a combinação de texturas e padrões na composição e a bidimensionalidade do desenho são alguns exemplos.

Uma camada simbólica a mais foi adicionada quando a artista passou a ver o emolduramento também como um recorte de paisagem próprio dos esquadros das janelas. A partir deste momento, as plantas e animais representados começaram a extrapolar o contorno definido pela margem. Uma composição evocativa aos movimentos insurgentes da natureza, que insiste em não ser controlada.

No verso dos tecidos são bordadas frases dos moradores locais, reafirmando sua presença no traçado das linhas de vida.

Para série de cerâmicas são recriados os padrões de simbiose entre raízes e fungos micorrizas. As placas em formato de azulejo 15 x 15cm cada, recebem engobe feito com pigmentos das terras de cada local.

A queima é feita na técnica de forno efêmero (torre de tijolos preenchida de carvão e as peças a serem queimadas), sempre no território da imersão.

 © 2035 por Ágata Silveira. Orgulhosamente criado com Wix.com 

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